quinta-feira, 2 de março de 2017

A JORNADA DA CONSCIÊNCIA E AS DOZE CASAS





A complexidade humana sempre foi objeto de reflexão e de inquietação filosófica, a começar pela diversidade de temperamentos e perfis psicológicos. Embora o gênero humano compartilhe os mesmos princípios esteja onde estiver e independente das especiações raciais, nos causa espanto o alcance do seu espectro criativo e mais ainda, do seu espectro comportamental, que atinge extremos quase ficcionais. Afinal, como uma mesma espécie consegue manifestar sentimentos tão nobres e elevados, realizar feitos técnicos e artísticos impressionantes; e por outro lado ser capaz de atos de crueldade indizível contra seus semelhantes e contra outras espécies?
Tendo em vista essa diversidade de tipos e orientações, os sábios da antiguidade elaboraram e desenvolveram sistemas de tipologia capazes de identificar tanto os perfis psicológicos básicos, como também, setorizar a atividade humana para que todos esses perfis pudessem se localizar e serem localizados de modo definido. Falamos, portanto, em sistemas complexos que integram o “onde” (campo de atividade) com o “como” (agente). E um desses “mapas” é o sistema das Doze Casas, “inspirado” numa configuração sideral macrocósmica conhecida como “zodíaco “,  sabiamente  transposta para o microcosmo humano.
O Sistema das Doze Casas pode ser estudado como um conhecimento próprio e independente da Astrologia que o inclui, sem entretanto, limita-lo ao seu próprio método; e isso pode ser comprovado pelo interesse que o tema vem despertando tanto em Psicólogos, como em Terapeutas. A explicação para a inclusão desse método é a sua genialidade na segmentação interdependente do Todo no qual vivemos e nos movemos e que está espelhado  dentro de nós. Ato contínuo, quando nos referimos às Casas como setores/ segmentos da experiência humana, falamos de uma realidade que se revela interna e externamente, ou antes, na psique e no mundo no qual ela se expressa.
Estudar e imergir nas Doze Casas nos abre um vasto horizonte a ser explorado dentro do universo do autoconhecimento. Isso porque estamos falando de Doze portais de consciência e de experiência manifestados como ambientes fixos com seus poderes, princípios e atributos próprios. Esses campos possibilitam desenvolver diferentes tipos de Inteligência, virtudes e habilidades alhures toda essa disposição dependa da qualidade do agente, ou antes, do  seu nível de consciência manifesto. Colocado dessa forma, podemos subentender que uma Casa tanto pode se revelar como um domínio de atividade consciente e hígida, como uma área de inconsciência e por efeito, de sombras.  
Por exemplo: A Casa Sete é o ambiente no qual somos projetados para a vida social, o campo onde aprendemos a lidar com o “outro” de maneira não individualista(Casa Um), mas antes, considerando e respeitando suas características pessoais, habilidades, competências, etc. É nessa casa que podemos aprender a desenvolver relações corretas fiadas na ética e na harmonia das partes reunidas, e isso fez com que ela recebesse a alcunha "Morada da Justiça". Por outro lado, é nessa mesma Casa onde fazemos as “projeções”, o espelho que reflete nossas idealizações e expectativas de como nosso parceiro e associados devem se portar em relação a nós. A sombra, portanto, é a projeção e a dependência que podem ser tanto de caráter afetivo, como de caráter social. Mas essas sombras se notabilizam de modo especial na associação mais íntima e probatória de todas: O Casamento. É por meio desse vínculo fundamental que expiamos quais as motivações verdadeiras que nos liga ao parceiro. O casamento, de acordo com os ensinamentos da Qabala, só será uma experiência vertical e transformadora quando houver a união interno entre a Alma e a personalidade, o simbólico enlace alquímico conhecido como “As núpcias Alquímicas do Sol e da Lua(Consciência e Forma)”. 
Embora sejam Doze Casas a verdade é que mal exploramos 1/3 desse todo! Isso porque tendemos a ser especialistas ao invés de versáteis, um traço que está nas fundações da própria sociedade mesmo sabedores que a natureza humana é essencialmente versátil. Todavia, essa versatilidade só é reconhecida e assumida quando as Casas nas quais nos especializamos (seja por karma, criação, cultura, etc) esgotam suas possibilidades sem que tenhamos nos permitido explorar outras áreas, outras fontes de inspiração e sobrevivência. Mas o que gera o esgotamento? A explicação está no principio da interdependeria, ou na teoria dos sistemas: Quando um sistema se fecha em si mesmo a tendencia é que ele desabe sobre a sua própria estrutura, já que lhe será impossível existir de forma hígida e interdependente com o Todo. De acordo com Pietro Ubaldi, essa estrutura egoísta se torna um "anti-sistema". É preciso ter uma abertura para trocar calor, informação, matéria e valores com outras áreas, entidades e  sistemas.
Quando uma Casa satura somos forçados (se não quisermos sucumbir junto) a “mudar de endereço” , ou seja, migrar para outros territórios com o fito de aprender novas habilidades, ou quem sabe, retomar aquelas que em algum momento foram iniciadas e depois largadas. Em síntese, seremos “forçados” a  buscar recursos em domínios até então insuspeitos e a considerar possibilidades outrora sequer imaginadas. E é nesse ponto que entra a dimensão terapêutica desse ensinamento: Identificar tanto os territórios já esgotados, como aqueles mal explorados e mais os que não foram ainda tocados, muito embora sejam vitais. É preciso nos transportar para as dimensões consciente, subconsciente e inconsciente de cada casa, detectar os excessos e as faltas em cada uma e equacionar nossa presença de modo que possamos ter nossas especialidades (afinal, elas são necessárias), mas que essas se relacionem com outras habilidades. Melhor seria por da seguinte maneira: sermos cada vez mais versáteis em diferentes especialidades.
Estudar o sistema de Casas é uma experiência que agrega valor e beleza a nossa percepção de vida. Tendemos a refinar nossa sensibilidade e a respeitar a totalidade da existência com mais empatia e reverencia pelo mosaico de tipos, caminhos e perspectivas.